Limites Difíceis: Exponenciais, Trigonometria e Funções Inversas
Calcule ou mostre que não existe. Não utilize qualquer artifício que envolva derivação.
(a) Calcule
x→0lim2x1+12x1−1.(b) Calcule
x→0limx2arccos(senhx)1−cos2x.Item (a)
Queremos calcular
L=x→0lim2x1+12x1−1.O ponto fundamental é perceber que, quando x→0, o comportamento de x1 é diferente dependendo do lado pelo qual nos aproximamos.
Aproximação pela direita
Se
x→0+,então
x1→+∞.Como 2>1,
2x1→+∞.Dividindo numerador e denominador por 21/x, obtemos
2x1+12x1−1=1+21/x11−21/x1.Como
21/x→+∞,temos
21/x1→0.Portanto,
x→0+lim2x1+12x1−1=1+01−0=1.Assim,
x→0+lim2x1+12x1−1=1.Aproximação pela esquerda
Agora consideremos
x→0−.Nesse caso,
x1→−∞.Consequentemente,
2x1→0.Substituindo esse comportamento na expressão:
x→0−lim2x1+12x1−1=0+10−1=−1.Logo,
x→0−lim2x1+12x1−1=−1.Os limites laterais são diferentes:
x→0+limf(x)=1e
x→0−limf(x)=−1.Portanto, o limite bilateral não existe.
x→0lim2x1+12x1−1 na˜o existeO ponto central dessa questão é que não podemos simplesmente substituir x=0. O comportamento de x1 precisa ser analisado separadamente nos dois lados da origem.
Item (b)
Considere
L=x→0limx2arccos(senhx)1−cos2x.Primeiramente, utilizamos a identidade trigonométrica
1−cos2x=sen2x.Assim,
L=x→0limx2arccos(senhx)sen2x.Podemos separar os fatores:
L=x→0lim(xsenx)2⋅arccos(senhx)1.Agora analisamos cada parte.
Primeiro fator
Pelo limite trigonométrico fundamental,
x→0limxsenx=1.Portanto,
x→0lim(xsenx)2=1.Segundo fator
Sabemos que
x→0limsenhx=0.Como a função arccosx é contínua em x=0,
x→0limarccos(senhx)=arccos(0).Como
arccos(0)=2π,temos
x→0limarccos(senhx)=2π.Consequentemente,
x→0limarccos(senhx)1=π2.Finalmente,
L=1⋅π2.Portanto,
x→0limx2arccos(senhx)1−cos2x=π2.(a) Determine, sem utilizar qualquer artifício que envolva derivação, o valor da constante real p para que o limite abaixo exista e seja finito. Calcule também o valor desse limite.
x→0limx21+x−(1+px).(b) Prove ou dê um contraexemplo para a afirmação:
Se
x→0limf(x)2existe e é finito, então
x→0limf(x)também existe e é finito.
Item (a)
Considere
L=x→0limx21+x−(1+px).Como há uma diferença envolvendo uma raiz quadrada, vamos racionalizar o numerador.
Multiplicamos numerador e denominador pelo conjugado:
L=x→0limx2[1+x+(1+px)][1+x−(1+px)][1+x+(1+px)].No numerador, utilizamos diferença de quadrados:
(1+x)2−(1+px)2.Assim,
L=x→0limx2[1+x+(1+px)]1+x−(1+px)2.Desenvolvendo o quadrado:
(1+px)2=1+2px+p2x2.Logo,
1+x−(1+px)2=1+x−1−2px−p2x2.Portanto,
1+x−(1+px)2=(1−2p)x−p2x2.Substituindo:
L=x→0limx2[1+x+(1+px)](1−2p)x−p2x2.Colocando x em evidência no numerador:
L=x→0limx[1+x+(1+px)](1−2p)−p2x.Para que o limite seja finito, o termo
x1−2pnão pode permanecer na expressão.
Portanto, necessariamente,
1−2p=0.Assim,
p=21.Agora substituímos esse valor na expressão original racionalizada:
L=x→0limx2[1+x+(1+2x)]−41x2.Cancelando x2:
L=x→0lim1+x+1+2x−41.Pela substituição direta,
L=1+1−41.Portanto,
L=−81.Assim, o único valor de p que torna o limite finito é
p=21,e, para esse valor,
x→0limx21+x−(1+2x)=−81.Item (b)
A afirmação é falsa.
Para construir um contraexemplo, precisamos de uma função cujo quadrado tenha limite, enquanto a própria função não tenha limite.
Considere a função definida por
f(x)={1,−1,x∈Q,x∈/Q.Ou seja, f(x) vale 1 quando x é racional e −1 quando x é irracional.
Para qualquer x,
f(x)2=1.Portanto,
x→0limf(x)2=x→0lim1=1.Assim, o limite de f(x)2 existe e é finito.
Entretanto, o limite de f(x) não existe.
De fato, existem números racionais arbitrariamente próximos de 0 e também números irracionais arbitrariamente próximos de 0.
Pelos racionais,
f(x)=1,portanto,
x→0x∈Qlimf(x)=1.Pelos irracionais,
f(x)=−1,portanto,
x→0x∈/Qlimf(x)=−1.Como os limites obtidos por esses dois conjuntos de pontos são diferentes,
1=−1,o limite de f(x) não existe.
Consequentemente,
x→0limf(x)2 existe, mas x→0limf(x) na˜o existe.Portanto, a afirmação proposta é falsa.
Item (a)
É dado que
x→0+limxf(x)−1=k,onde k é um número real finito.
Podemos escrever
f(x)−1=xxf(x)−1.Tomando o limite quando x→0+:
x→0+lim[f(x)−1]=x→0+limxxf(x)−1.Como
x→0+limx=0e
x→0+limxf(x)−1=k,temos
x→0+lim[f(x)−1]=0.Portanto,
x→0+limf(x)=1.Item (b)
A partir da equação funcional,
f(x)f(yf(x))=f(x+y),x,y>0,obtemos
f(x+y)−f(x)=f(x)[f(yf(x))−1].Dividindo por y>0:
yf(x+y)−f(x)=f(x)⋅yf(yf(x))−1.Para utilizar diretamente a hipótese sobre o limite, escrevemos
yf(yf(x))−1=f(x)⋅yf(x)f(yf(x))−1.Portanto,
yf(x+y)−f(x)=f(x)2yf(x)f(yf(x))−1.Agora fazemos
y→0+.Como f(x)>0, temos
yf(x)→0+.Pela hipótese,
t→0+limtf(t)−1=k.Tomando
t=yf(x),segue que
y→0+limyf(x)f(yf(x))−1=k.Por outro lado, como f é diferenciável,
y→0+limyf(x+y)−f(x)=f′(x).Assim,
f′(x)=kf(x)2para todo x>0.
Consequentemente,
f′(x)f(x)2=kf(x)2f(x)2.Como f(x)>0, podemos cancelar f(x)2:
f′(x)f(x)2=k1.Logo,
x→0+limf′(x)f(x)2=k1.Portanto,
x→0+limf′(x)f(x)2=k1.