Derivada de Soma, Diferença e Múltiplo Constante
Já sabemos calcular derivadas de constantes e de potências. Por exemplo,
(x5)′=5x4.
Mas muitas funções importantes são formadas pela combinação de vários termos.
Considere, por exemplo,
f(x)=3x4−5x2+7x−9.
Seria muito trabalhoso voltar à definição de derivada toda vez que quiséssemos calcular uma expressão desse tipo.
Felizmente, a derivada possui uma propriedade fundamental:
Podemos decompor a função em partes e derivar cada termo separadamente.
Essa propriedade é conhecida como linearidade da derivada.
Neste tópico, vamos construir essa ideia a partir da definição de derivada.
1. Derivada da soma de duas funções
Considere duas funções f e g e defina
h(x)=f(x)+g(x).
Pela definição de derivada,
h′(x)=a→0limah(x+a)−h(x).
Como
h(x+a)=f(x+a)+g(x+a),
podemos escrever
h′(x)=a→0limaf(x+a)+g(x+a)−f(x)−g(x).
Reorganizando os termos,
h′(x)=a→0lim[af(x+a)−f(x)+ag(x+a)−g(x)].
Utilizando a propriedade de linearidade do limite,
h′(x)=a→0limaf(x+a)−f(x)+a→0limag(x+a)−g(x).
Portanto,
h′(x)=f′(x)+g′(x).
Chegamos à regra da soma.
Se f e g são deriváveis, então
(f+g)′=f′+g′
2. A ideia por trás da regra
A regra significa que podemos separar uma função em parcelas.
Por exemplo,
f(x)=x3+x2.
Em vez de tentar derivar toda a expressão de uma vez, podemos escrever
f′(x)=(x3)′+(x2)′.
Então,
f′(x)=3x2+2x.
Assim,
f′(x)=3x2+2x
Essa será uma das ferramentas mais utilizadas para derivar polinômios.
3. Derivada da diferença
A mesma ideia pode ser utilizada para uma diferença.
Considere
h(x)=f(x)−g(x).
Podemos escrever a diferença como
h(x)=f(x)+(−g(x)).
Pela regra da soma,
h′(x)=f′(x)+(−g(x))′.
Como veremos a seguir, multiplicar uma função por uma constante permite retirar essa constante da derivada. Portanto,
(−g(x))′=−g′(x).
Assim,
h′(x)=f′(x)−g′(x).
Se f e g são deriváveis, então
(f−g)′=f′−g′
4. Exemplo
Considere
f(x)=x4−x3.
Aplicando a regra da diferença,
f′(x)=(x4)′−(x3)′.
Usando a regra da potência,
f′(x)=4x3−3x2.
Portanto,
f′(x)=4x3−3x2.
5. Derivada de um múltiplo constante
Considere agora uma função multiplicada por uma constante:
h(x)=cf(x),
onde c é uma constante.
Pela definição de derivada,
h′(x)=a→0limacf(x+a)−cf(x).
Colocando c em evidência,
h′(x)=a→0limcaf(x+a)−f(x).
Como c não depende de a, podemos colocá-lo para fora do limite:
h′(x)=ca→0limaf(x+a)−f(x).
Portanto,
h′(x)=cf′(x).
Se c é uma constante e f é derivável, então
(cf)′=cf′
6. Exemplo: constante multiplicando uma potência
Considere
f(x)=7x4.
Podemos manter o 7 e derivar apenas a potência:
f′(x)=7(x4)′.
Como
(x4)′=4x3,
temos
f′(x)=7⋅4x3.
Logo,
f′(x)=28x3.
7. As três regras juntas
Até aqui, temos três regras fundamentais:
Soma
(f+g)′=f′+g′
Diferença
(f−g)′=f′−g′
Múltiplo constante
(cf)′=cf′
Essas três propriedades permitem derivar expressões muito maiores sem precisar retornar à definição de derivada.
8. Derivando um polinômio
Considere agora
f(x)=3x4−5x3+2x2−7x+10.
Vamos separar os termos:
f′(x)=(3x4)′−(5x3)′+(2x2)′−(7x)′+(10)′.
Aplicando as regras anteriores:
f′(x)=3(x4)′−5(x3)′+2(x2)′−7(x)′+(10)′.
Agora utilizamos a regra da potência:
f′(x)=3(4x3)−5(3x2)+2(2x)−7(1)+0.
Simplificando,
f′(x)=12x3−15x2+4x−7.
Portanto,
f′(x)=12x3−15x2+4x−7
Observe que cada termo foi tratado de forma independente.
9. Uma consequência importante
Considere um polinômio qualquer:
P(x)=anxn+an−1xn−1+⋯+a1x+a0.
Aplicando as regras que estudamos,
P′(x)=nanxn−1+(n−1)an−1xn−2+⋯+a1.
O termo constante a0 desaparece porque
(a0)′=0.
Portanto, para derivar um polinômio, basta:
- multiplicar cada coeficiente pelo seu expoente;
- diminuir o expoente em uma unidade;
- derivar cada termo separadamente;
- lembrar que a constante desaparece.
10. Um exemplo mais elaborado
Considere
f(x)=6x5−4x3+9x2−8x+12.
Derivamos termo por termo:
f′(x)=6(x5)′−4(x3)′+9(x2)′−8(x)′+(12)′.
Então,
f′(x)=6(5x4)−4(3x2)+9(2x)−8(1)+0.
Logo,
f′(x)=30x4−12x2+18x−8.
💡 Dica — clique para visualizar
Quando a função for um polinômio, não tente aplicar uma fórmula complicada.
Separe os termos e utilize as regras básicas:
(axn)′=anxn−1.A constante multiplicativa permanece e o expoente desce multiplicando.
11. Cuidado com um erro comum
Considere
f(x)=x3+5x2.
A derivada correta é
f′(x)=3x2+10x.
Um erro comum seria pensar que
(x3+5x2)′=3x2+5x.
Isso está errado porque o coeficiente 5 também permanece durante a derivação:
(5x2)′=5(2x)=10x.
Portanto, sempre devemos aplicar a regra da potência a cada termo.
12. Exercícios
Determine a derivada da função
f(x)=x4+x2.Aplicamos a regra da soma:
f′(x)=(x4)′+(x2)′.Pela regra da potência,
f′(x)=4x3+2x.Portanto, a alternativa correta é A.
Calcule a derivada da função
f(x)=5x3−2x.Derivamos cada termo separadamente:
f′(x)=5(x3)′−2(x)′.Assim,
f′(x)=5(3x2)−2.Logo,
f′(x)=15x2−2.A alternativa correta é A.
Determine a derivada de
f(x)=4x5−3x4+7x2−6.Derivamos cada termo:
(4x5)′=20x4,(−3x4)′=−12x3,(7x2)′=14x,e
(−6)′=0.Portanto,
f′(x)=20x4−12x3+14x.A alternativa correta é A.
Se
f(x)=ax3+bx2+cx+d,onde a, b, c e d são constantes, determine f′(x).
Aplicando a regra da soma e do múltiplo constante,
f′(x)=a(x3)′+b(x2)′+c(x)′+(d)′.Assim,
f′(x)=3ax2+2bx+c+0.Portanto,
f′(x)=3ax2+2bx+c.A alternativa correta é A.
Considere
f(x)=2x4−3x2+5x−8.Qual é o valor de f′(2)?
Primeiro calculamos a derivada:
f′(x)=8x3−6x+5.Agora fazemos x=2:
f′(2)=8(2)3−6(2)+5.Então,
f′(2)=64−12+5.Logo,
f′(2)=57.Observe que nenhuma das alternativas apresenta 57.
Portanto, há um erro nas alternativas apresentadas.
Para que a questão seja válida, devemos corrigi-la antes de utilizá-la no banco de questões.
13. A estrutura que construímos
Neste ponto, já conseguimos derivar qualquer polinômio utilizando apenas três ideias:
(C)′=0,
(xn)′=nxn−1,
e
(cf+g)′=cf′+g′.
Isso significa que a derivação de polinômios deixou de depender diretamente da definição por limite.
A definição continua sendo a base teórica:
f′(x)=h→0limhf(x+h)−f(x),
mas as regras que construímos permitem realizar os cálculos de forma muito mais eficiente.
Próximo passo
Ainda existem duas operações fundamentais que não podemos tratar simplesmente termo a termo:
f(x)g(x)
e
g(x)f(x).
Para elas, precisaremos desenvolver duas novas ferramentas:
- Regra do Produto;
- Regra do Quociente.
Antes disso, vale entender por que a derivada de um produto não é simplesmente o produto das derivadas.
Esse será o próximo passo.